Iniciamos 2026 com muitas informações impactantes, tanto no âmbito nacional como mundial, e não podemos negar que elas influenciam o nosso cotidiano, mesmo daqueles que dizem não se envolver em política, não compreender as disputas de poder no globo terrestre, tampouco ter noção das bolsas de valores e a cotação do dólar. E nós, como ficamos, então, se o primeiro mês do ano já se foi?
Cada indivíduo tem suas lutas pessoais, de toda ordem: financeira, saúde, emocional, familiar, enfim, mas como manter-se “bem” diante de uma mídia que, ao mesmo tempo em que informa, nos instiga a tomarmos posicionamento, já que somos seres ideológicos, carregados de crenças e convicções?
É relevante pensarmos sobre tudo isso, sobre a nossa inserção em um mundo tão incerto (ou certo, dependendo da perspectiva), uma vez que traçamos, mesmo que mentalmente, prospectivas para o ano novo e, de repente, já nos vemos frustrados; um mês se passou, a fila andou rápido demais e nada do que projetamos avançou na mesma velocidade! O filósofo Sêneca já dizia: "Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida".
É justamente nesse cenário que entra a “relocalização” da vida, tão cara em tempos de tanta aceleração. A expressão está ligada ao slow moviment, que significa DESACELAR, ou seja, optar por alternativas de vida que primem por deixá-la mais leve, funcional, mais simples mesmo... E a vilã tecnologia, o que fazer com ela se apenas um mês de vida de 2026 parece ter nos saturado? Muitas vezes, é preciso se desconectar... Para Clarice Lispector, escritora e poetisa brasileira, “O tempo não é nada. A intensidade é tudo”! A “autogestão” (creio que o vocábulo ainda não era tão comum quando a autora escreveu o fragmento) já era explorada...
Nunca se procurou tanto a autoajuda como agora, até mesmo para indivíduos em tenra idade... Uma busca inconstante de algo faltante, que procuramos suprir nos apegando ao consumismo, às postagens, às máscaras frágeis que a sociedade no leva a colocar, mas que ela mesma vem e as arranca de modo abrupto. É preciso olhar para nós, para as coisas triviais...
Ainda está em tempo de reprogramar a rota: é preciso parar e realinhar o foco ou não chegaremos bem ao final de 26! Isso não significa ficar ignorante aos acontecimentos mundiais, nacionais, mas peneirar para nos conectarmos com nós mesmos em busca da meta traçada lá no início de janeiro, sem nos afligir tanto com assuntos que, às vezes, nem versam sobre nós: façamos uma faxina virtual; poupemo-nos! Já dizia Cora Coralina: “Não acrescente dias à sua vida, mas vida aos seus dias”.
Profa. Ma. Alessandra Manoel Porto – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Docente Fatec Jales – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
