É notório que as mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação distante e se tornaram uma realidade no cotidiano e no agronegócio brasileiro. Secas prolongadas em períodos chuvosos (os chamados “veranicos”), chuvas intensas fora de época e ondas de calor extremo têm impactado diretamente a produção agropecuária, trazendo incertezas para produtores, consumidores e para a economia como um todo.
Em uma abordagem histórica, é inegável que eventos meteorológicos adversos e extremos sempre ocorreram. O que se questiona, entretanto, é a frequência e a intensidade com que têm acontecido.
Conceitualmente, entende-se por mudanças climáticas alterações nos padrões de temperatura e precipitação do planeta. Destaca-se, nesse ponto, a influência da ação antrópica na aceleração de mudanças de padrões climáticos. A emissão de gases que causam efeito estufa é um ponto-chave para compreender como ocorrem essas alterações. Além disso, no Brasil, o desmatamento de grandes áreas da floresta amazônica também influencia o regime de chuvas do centro-sul do país.
No campo, tanto pequenos quanto grandes produtores têm sido impactados por esses eventos. Um relatório publicado pelo Senado Federal em 2022 concluiu que as alterações climáticas, além de outros impactos, aumentam os riscos de alastramento de novos patógenos, afetam a produtividade das colheitas, o rendimento da pecuária e podem excluir parcelas significativas de terras do sistema produtivo, o que influenciará a disponibilidade e o fornecimento de alimentos no país e no mundo.
Outrossim, há efeitos e impactos econômicos relevantes além dos prejuízos na produção. A necessidade de replantio, por exemplo, já traz consequências ao custo inicial de produção, o que refletirá, afinal, no bolso do consumidor.
Nesse cenário de incertezas, adaptar-se é necessário. Investir em tecnologias disponíveis para o campo, adotar práticas sustentáveis durante todo o processo produtivo, manejar corretamente o solo, utilizar cultivares mais resistentes à seca e ao calor, utilizar sistemas de irrigação eficientes em áreas sujeitas à seca prolongada e contratar um seguro agrícola são exemplos de alternativas que podem reduzir riscos e aumentar a resiliência da produção.
Em suma, as mudanças nos padrões atmosféricos causados pelas alterações climáticas merecem atenção especial de toda a cadeia produtiva pertencente ao agronegócio. Planejar, inovar e aplicar práticas que trazem segurança à produção e ao produtor são ações mandatórias para que os impactos sejam minimizados tanto para quem produz quanto para quem consome.
Prof. Me. Gustavo Danilo Pontel
