Como professor e pesquisador em Engenharia de Produção, com foco em arquitetura de sistemas e segurança da informação, é correto afirmar que o nível de confiança no uso de sistemas de inteligência artificial (IA) não depende exclusivamente do modelo de cobrança (gratuito ou pago). O fator central reside nas políticas de tratamento, armazenamento e governança de dados do provedor.
Contas gratuitas geralmente apresentam limitações mais evidentes em garantias formais de segurança e transparência. Os dados do usuário podem ser utilizados para treinamento dos modelos, conforme as políticas de privacidade. Normalmente, não há a formalização de um Service Level Agreement (SLA) – contrato que define níveis mínimos de serviço – nem cláusulas específicas de confidencialidade.
Em contrapartida, contas pagas, principalmente em contextos corporativos, oferecem maior confiabilidade. Essas soluções costumam incluir criptografia de dados em trânsito e em repouso, além de mecanismos de controle de acesso baseado em papéis (Role-Based Access Control- RBAC).
Adicionalmente, provedores maduros aderem a normas reconhecidas internacionalmente. Entre elas estão a ISO/IEC 27001 (gestão da segurança da informação), os relatórios SOC 2 (auditoria de controles de segurança) e os regulamentos de proteção de dados, como o GDPR (Europa) e a LGPD (Brasil).
Tecnicamente, sistemas baseados em computação em nuvem não são isentos de riscos. O diferencial está na gestão de riscos, com a integração da segurança em todas as fases do ciclo de desenvolvimento, prática conhecida como Development, Security and Operations(DevSecOps).
Portanto, a avaliação da confiança deve ser sistêmica e baseada em riscos, considerando aspectos tecnológicos, contratuais e organizacionais. Contas gratuitas são adequadas para fins exploratórios e de baixa criticidade, enquanto as pagas oferecem maior maturidade em controles, conformidade e previsibilidade. Contudo, independentemente do modelo, a segurança efetiva resulta da combinação entre a robustez da arquitetura do provedor, a aderência a normas e a implementação de políticas internas de governança e uso consciente, consolidando a segurança da informação como um processo contínuo.
Prof.º Me. Sileno Marcos Araujo Ortin
Docente – Fatec Jales
