O agronegócio brasileiro segue em destaque na economia: em 2025, o setor alcançou um Produto Interno Bruto (PIB) em torno de R$ 3,79 trilhões, representando cerca de 29,4% do PIB nacional — fatia próxima de um terço da economia do país. Essa participação destaca o papel estratégico da agricultura na economia brasileira e a necessidade de ampliar a eficiência produtiva, inclusive entre os pequenos produtores.
Nesse contexto, é fundamental compreender a evolução dos modelos produtivos, especialmente a diferença entre a Agricultura 4.0 e a Agricultura 5.0, pois essa distinção impacta diretamente a forma como a tecnologia pode ser incorporada na propriedade, independentemente de sua extensão.
A Agricultura 4.0 está fundamentada na digitalização e automação dos processos produtivos. Seu foco central é a eficiência operacional por meio do uso de sensores, drones, sistemas de georreferenciamento, softwares de gestão e análise de dados em tempo real. Trata-se de um modelo orientado por conectividade, integração de máquinas e coleta massiva de dados para apoiar a tomada de decisão. O objetivo principal é aumentar produtividade, reduzir desperdícios e otimizar custos.
Já a Agricultura 5.0 representa uma evolução conceitual e tecnológica. Além de utilizar as ferramentas digitais da Agricultura 4.0, incorpora inteligência artificial avançada, sistemas preditivos, robótica colaborativa e uma abordagem centrada na sustentabilidade e no ser humano. Nesse modelo, a tecnologia apoia também decisões estratégicas, promove uso racional de recursos naturais, fortalece a rastreabilidade, integra eficiência produtiva com responsabilidade socioambiental e geração de valor sustentável. Ela transforma dados em inteligência aplicada à tomada de decisão estratégica.
Para o pequeno produtor, essa distinção é particularmente relevante. Entretanto, a adoção dessas tecnologias enfrenta fatores restritivos importantes, como a falta de conhecimento técnico, um dos principais, a limitação de conectividade no meio rural e o acesso restrito à capital para investimento inicial.
Por outro lado, existem fatores que possibilitam a inclusão tecnológica. Programas de capacitação, crédito rural orientado à inovação e ações de extensão rural contribuem para reduzir barreiras estruturais. Instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas oferecem orientação gerencial e apoio à modernização. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária desenvolve tecnologias adaptadas à agricultura familiar. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural promove cursos e treinamentos técnicos gratuitos voltados ao campo.
Para buscar esses recursos, o produtor pode recorrer a cooperativas, sindicatos rurais, agências de assistência técnica e aos portais digitais dessas instituições. Universidades e institutos federais também desenvolvem projetos de extensão tecnológica direcionados ao pequeno produtor. Além disso, feiras agropecuárias, eventos técnicos e dias de campo, bem como o acompanhamento de publicações especializadas, plataformas digitais do setor e programas de treinamento, podem ampliar o acesso a novas práticas.
Para o pequeno produtor, compreender essa evolução é essencial para transformar tecnologia em estratégia e garantir produtividade, sustentabilidade e permanência competitiva no mercado.

Prof.º Me. Sileno Marcos Araujo Ortin
Docente – Agronegócio – Fatec Jales
