A tecnologia tem tomado muito nosso tempo e, por vezes, confundido nossa cabeça: “bugamos” diante de uma imagem ou situação e temos dúvida se é obra da IA ou não... A linha tem sido tão tênue que parece ter reduzido nossa capacidade de análise. Tudo isso é fabuloso, mas voltemos nossa atenção para situações cotidianas que têm sido ignoradas pela pressa que nos é imposta.
Sentimos tanta segurança em acionar nosso aplicativo de navegação por GPS (sigla em inglês para Global Positioning System - Sistema de Posicionamento Global) que, por vezes, nem observamos nosso trajeto, costumeiro ou não, porque estamos sendo guiados, e isso nos tranquiliza – temos um GPS trabalhando por nós!
Não paramos mais para olhar, por rápido que seja, um formigueiro: nele, formigas vindas de todo canto trazendo partes de folhas, maiores que si, e, sem perder o rumo de onde deveriam deixá-las, vão se equilibrando, como que com prazo de entrega de um pedido. Podemos fazer, inclusive, uma analogia breve sobre como não se perdiam naquele espaço enorme e engenhoso, levando consigo o pedido feito, provavelmente, pela “formiga-chefe”, como se fosse um delivery. Elas têm GPS!
Vamos adiante! Os pés de pequi nativos, no meio de capões de mato ainda sem desbravar, monitorados por nós humanos para o amadurecer dos frutos têm concorrentes: as araras! Quando pensamos que naquele ano não viriam porque ainda não haviam dado o ar da graça, lá vêm elas, de uma vez e, zás – foram-se os pequis! Elas têm GPS!
São situações óbvias, triviais, às quais estamos comumente acostumados, sem novidade, mas carregadas de muita tecnologia natural... Vejam os tatus: cavam um buraco no meio do nada, saem, cai a chuva, escurece, venta, faz frio, e eles voltam para a casa deles com tranquilidade. Eles também têm GPS!
As ciências da natureza, ou melhor dizendo, a biologia que estuda a vida tem se apropriado do que a tecnologia oferece para compreender fenômenos, características e peculiaridades de milhares de espécies. Conhecimentos empíricos e outros carregados de conhecimento popular também trazem versões para (des)mistificar os comportamentos, sobretudo, dos animais, entretanto, como afirma o filósofo grego Demócrito: "A maior parte das artes, nós aprendemos com os animais: a de tecer, com a aranha, a de edificar, com a andorinha, a de fazer música, com os pássaros." Será que copiamos o GPS deles?
Profa. Ma. Alessandra Manoel Porto – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Docente da Fatec Jales – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
