Você já pensou em um produto e, ao entrar no Instagram, viu diversos anúncios exatamente sobre ele? Ou, ao pesquisar uma camiseta em uma loja virtual, recebeu minutos depois sugestões de calças, tênis e acessórios que combinavam perfeitamente com você? E o que dizer da sua playlist no Spotify, que parece conhecer seu gosto musical melhor do que a sua própria mãe?
Coincidência? Nem tanto.
Estamos vivendo uma mudança discreta na maneira como consumimos. Durante muito tempo, o marketing tentou descobrir o que o consumidor queria. Hoje, com o volume imenso de dados gerados a cada clique, busca, curtida, visualização e compra, as plataformas conseguem fazer algo ainda mais sofisticado: prever o que provavelmente vai despertar nosso interesse.
É nesse ponto que surge uma pergunta provocativa: quando um algoritmo organiza tudo o que vemos, será que ainda estamos escolhendo livremente o que consumir?
Não é tão simples assim. O algoritmo não pega nossa mão e nos obriga a comprar, tampouco determina obrigatoriamente qual produto colocaremos no carrinho. O que ele faz é moldar o ambiente da escolha: ele seleciona, ordena e recomenda o que aparece diante de nós. A publicidade deixou de apenas convencer; hoje, ela antecipa os nossos desejos.
Durante décadas, os profissionais de marketing precisaram trabalhar com informações genéricas: idade, renda, localização, pesquisas de mercado e hábitos declarados. Hoje, nossos rastros digitais entregam um panorama muito mais detalhado sempre que buscamos um produto, assistimos a um vídeo, salvamos um post ou clicamos em um anúncio.
Uma pesquisa publicada no Journal of Retailing and Consumer Services em 2026 demonstrou que a precisão da recomendação aumenta a percepção de valor e acelera a decisão de compra, reduzindo significativamente o esforço do consumidor na hora de procurar um produto.
Porém, apesar de toda essa conveniência, os sistemas de recomendação podem nos prender em uma armadilha: a de consumir sempre mais do mesmo, criando uma bolha limitadora em meio à imensidão do mundo digital.
Diante disso, fica a provocação: nós realmente escolhemos o que queremos ou é o algoritmo que faz essa escolha por nós?
Profa. Dra. Andresa Caroline Lopes de Oliveira
Doutora em Comunicação
Docente na Faculdade de Tecnologia de Jales “Prof. José Camargo”.
