O “meio técnico-científico informacional” foi um termo criado pelo geógrafo brasileiro Milton Santos para representar o rápido avanço tecnológico na contemporaneidade. Nessa perspectiva, apresentam-se os Modelos de Linguagem de Grande Escala: os LLMs, do inglês “Large Language Model", estruturas digitais oriundas da inteligência artificial (IA) com potencial de criar e fornecer informações de diversas áreas.
Diante desse cenário, surge a dúvida se essa ferramenta tecnológica seria uma boa alternativa na medicina com o propósito de reduzir erros médicos. Embora a tecnologia tenha sido benéfica nos amplos setores da saúde, para esse fim específico, não se mostra como uma alternativa adequada, haja vista que a análise feita por essa IA é muito genérica e pode colocar em risco a vida do paciente.
Os LLMs são muito superficiais, em outras palavras, as informações fornecidas, por serem elaboradas por um banco de dados muito amplo, geram resultados genéricos e não específicos. No campo da psicologia, é explicado que os indivíduos são seres particulares e detentores de características próprias, assim a IA, por ser um aglomerado geral, não atende às especificidades do paciente, como é demonstrado na ciência, podendo, em vez de reduzir erros médicos, acontecer o contrário.
O uso desse modelo de linguagem pode atingir a segurança do paciente. Essa situação pode ser explicada pelo fornecimento de dados pelo paciente à plataforma que analisará de forma instantânea as informações, sem assegurar uma confiabilidade nos resultados. É válido ressaltar que, para se obter o título de médico, são necessários, pelo menos, seis anos de estudos, tornando o indivíduo apto a elaborar um diagnóstico; os LLMs, por não terem uma bagagem teórica fundamentada para diagnosticar, sugerem conclusões muitas vezes precipitadas em questão de segundos.
Portanto, o uso de LLMs na medicina não pode reduzir os erros médicos, mas, sim, aumentar as circunstâncias de representarem ferramentas genéricas e não específicas. Sabemos que todos nós já “demos” ou “damos uma espiadinha” nas inúmeras contribuições ofertadas pela IA, mas é fato que o médico é a pessoa mais bem preparada para detectar possíveis problemas e formular soluções e não esse modelo de IA, que poderá elevar a quantidade de falhas no sistema de saúde. Em um mundo carente de humanização, é preciso cautela com a IA, não é mesmo?
Profa. Ma. Alessandra Manoel Porto – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Docente Fatec Jales – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.