Recentemente, diversos setores da economia brasileira foram afetados pelo aumento das tarifas para a comercialização de produtos nos Estados Unidos. Esse reajuste atinge especialmente segmentos da indústria e do agronegócio.
Deixando de lado as questões políticas e conjunturais que envolvem esse aumento de alíquotas e voltando a atenção para seus impactos na vida do investidor brasileiro, três pontos merecem destaque.
O primeiro refere-se à perda de eficiência operacional das empresas listadas na bolsa de valores, o que pode reduzir a remuneração do capital para os acionistas ou, até mesmo, provocar a desvalorização nominal de suas ações.
O segundo aspecto a considerar é o comportamento das taxas de juros no Brasil. Como a importação de produtos para o mercado americano se torna mais cara, o Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) pode optar por manter os juros em patamares elevados, o que, por sua vez, poderia afastar parte dos investidores estrangeiros atualmente posicionados no Brasil.
O terceiro cenário possível é o de que, diante de um desempenho abaixo do esperado (“underperformance”) das empresas brasileiras, investidores busquem refúgio na moeda americana. Esse movimento pressionaria o câmbio, elevando o valor do dólar diante do real.
O mais prudente a considerar é que os efeitos do “tarifaço” na economia brasileira — e, em especial, no bolso do investidor — ainda são incertos. Negociações entre os países podem atenuar os prejuízos e evitar que investidores brasileiros tomem decisões precipitadas no rebalanceamento de suas carteiras.
Prof. Dr. Leandro Arthur Pinto
Docente da Faculdade de Tecnologia “Professor José Camargo” – Fatec Jales