No dia 10 de dezembro de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, um dos níveis mais altos da nossa história recente. A justificativa oficial é a mesma de sempre: cautela diante das incertezas econômicas e a necessidade de manter a inflação sob controle. Mas, quando tiramos o discurso técnico e olhamos para o impacto real no dia a dia, percebemos que essa decisão pesa de forma bem diferente para quem empreende e para quem investe.
Para quem pensa em abrir um negócio ou ampliar o que já tem, juros a 15% são um verdadeiro balde de água fria. O crédito fica caro demais, quase proibitivo. O empreendedor que precisa financiar máquinas, estoque ou estrutura nova enfrenta parcelas que não cabem no orçamento e muitas vezes abandona o sonho antes mesmo de tentar. Além disso, quando a renda fixa paga 15% ao ano sem sustos, o investimento produtivo perde atratividade. Por que arriscar em um novo empreendimento, que naturalmente exige esforço, risco e tempo, se o dinheiro parado rende mais do que muitos negócios conseguem lucrar? Esse desestímulo trava a economia: menos empresas nascendo, menos projetos sendo executados, menos empregos sendo criados. Não é exagero dizer que juros altos por muito tempo funcionam como freio de mão puxado no crescimento do país.
Por outro lado, há um grupo que sorri com essa decisão: os investidores de renda fixa. Quem está aplicado no Tesouro Selic, por exemplo, recebe um rendimento elevado, seguro e bastante confortável, algo raro nos últimos anos. Até quem investe em fundos imobiliários e ações acaba encontrando oportunidades interessantes, porque a alta dos juros derruba os preços desses ativos, permitindo compras “com desconto” para quem tem sangue-frio e visão de longo prazo. Em outras palavras, enquanto o empreendedor pensa duas vezes antes de investir, o investidor financeiro aproveita o momento para reforçar a carteira.
A discussão, no fundo, é sobre equilíbrio. É claro que controlar a inflação é importante, mas segurar a economia com juros tão altos por tanto tempo tem consequências diretas na geração de renda e trabalho. Como professor de Administração, vejo que o grande desafio do Brasil hoje é justamente encontrar esse ponto de equilíbrio entre preservar a estabilidade e permitir que o país volte a crescer de forma sustentável. Porque nenhum país se desenvolve apenas com aplicações rendendo bem — o verdadeiro motor da economia está nos negócios que abrem, nas empresas que crescem e nos empregos que aparecem quando o ambiente é favorável para quem produz.
Prof. Dr. Leandro Arthur Pinto
Docente da Faculdade de Tecnologia “Professor José Camargo” – Fatec Jales
