O agronegócio brasileiro mudou e os dados ambientais ajudam a enxergar isso com mais clareza. Informações do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa mostram que o Brasil reduziu suas emissões brutas de gases de efeito estufa em 16,7% em 2024, na comparação com o ano anterior. O número, por si só, não elimina os desafios, mas aponta um caminho possível: quando conhecimento, tecnologia e planejamento caminham juntos, é viável produzir mais e com responsabilidade ambiental.
Um ponto central dessa discussão é o uso da terra. No Brasil, grande parte das emissões está associada à forma como o solo é ocupado, especialmente na agropecuária. Por isso, produzir melhor, preservar áreas naturais e organizar o território rural deixou de ser apenas uma questão econômica ou mercadológica, passou a ser também uma exigência ambiental.
É nesse contexto que as pastagens ganham protagonismo. Dados do MapBiomas indicam que cerca de 60% das áreas produtivas do país estão ocupadas pela pecuária. Muitas delas, no entanto, apresentam algum grau de degradação.
Quando bem manejadas, com correção de solo, recuperação das pastagens, sanidade animal e uso de tecnologia, essas áreas podem produzir muito mais. Na prática, isso significa manter ou até ampliar o rebanho em menos espaço, liberando áreas já abertas para a agricultura, sem necessidade de novos desmatamentos.
No interior paulista, especialmente no Noroeste do Estado, essa realidade é bastante concreta. A região é forte no agronegócio e está cada vez mais conectada às exigências do mercado nacional e internacional: rastreabilidade, cuidado com o solo, uso eficiente da água e redução de emissões.
A COP30, realizada em Belém, reforçou uma mensagem clara: o mundo continuará cobrando produção com responsabilidade, transparência e compromisso ambiental. Nada disso acontece por improviso: o avanço do agronegócio moderno está diretamente ligado ao conhecimento aplicado, análise de solo, plantio direto, agricultura de precisão, integração lavoura-pecuária-floresta e boa gestão fazem toda a diferença no campo. É nesse cenário que a formação do gestor em Agronegócio se torna estratégica: ele aprende a planejar, tomar decisões mais eficientes e transformar desafios ambientais em oportunidades produtivas.
O caminho está posto. Reduzir o desmatamento, tornar a pecuária mais eficiente e expandir a agricultura sobre áreas já abertas é possível. O futuro do agronegócio não está em escolher entre produzir ou preservar, mas em fazer as duas coisas juntas, com consciência, técnica e visão de longo prazo.
Professora Dra. Adriana de Souza Colombo
Coordenadora do curso de Agronegócio da Fatec Jales
Presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Jales
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