O olhar para a leitura dentro de um mundo extremamente visual e digital tem sido necessário: temos informações como nunca, ao mesmo tempo em que temos dificuldades de nos concentrarmos na leitura de um manual de um objeto a ser montado. É como se o nosso olhar quisesse “pular” etapas e já tivéssemos o que os nossos olhos almejariam ver ou nossa mente saber em um passe de mágica.
Ler, segundo Moita Lopes (2001), linguista brasileiro, compreende um fluxo de informação, pois “o ato de ler envolve tanto a informação impressa na página quanto a informação que o leitor traz para o texto”. A leitura, nessa perspectiva, é dialógica e pessoal.
Pesquisadores na área defendem a leitura como provedora de conhecimento, porque melhora o repertório e, consequentemente, informa sobre assuntos que ainda não conhecemos, ampliando o nosso conhecimento. Entretanto, outros benefícios são elencados dentro das estruturas mentais: ler com mais fluidez, com mais propriedade de abstração, ler para ser divertir, para se emocionar, para se distrair...
Mesmo diante de tudo isso, a escola/educação como um todo tem enfrentado desafios: o livro de papel parece não “exalar” mais aquele cheiro de papel recém-saído da impressora, aquele cheiro de livro novo mesmo; parece até que o livro palpável, físico, não é mais desejado (já foi sim, acreditem!). É aí que entram os e-books como alternativa... E funcionam?
São muitas as plataformas que têm ofertado os livros digitais, inclusive por preços acessíveis; as escolas também têm aderido a projetos de grande capital, inserindo os e-books nas aulas de leitura.
Os e-books, na maioria das versões, tendem a ser bem atrativos nas cores e imagens; autores novos também têm ganhado as plataformas digitais, tudo na tentativa de levar o leitor a ler!
Nesse contexto, é relevante também olhar para os gêneros atuais lidos: os clássicos da literatura ainda continuam sendo “o bicho-papão”, com argumentos voltados exclusivamente para o vocabulário (impera ainda a dificuldade com o vocabulário mais formal, optando-se por uma língua menos formal), uma vez que as temáticas já discutiam as problemáticas sociais.
Bem, não podemos deixar de citar as críticas aos novos gêneros, ao novo formato de livros... Muitos ainda concebem que apenas os clássicos refletem uma leitura canônica. Sobre isso, trago à memória o lançamento, em 2007, da coleção do livro “Diário de um Banana”, de Jeff Kinney: profissionais mais ortodoxos traduziram o livro com uma banalização da língua, da produção clássica, entretanto, há relatos de que, após a leitura da coleção por muitos, houve um despertar para outros gêneros- inclusive, chegou-se aos clássicos.
Bem, rupturas são necessárias e se as novas tendências que ainda virão puderem contribuir para que a leitura faça parte da rotina, mesmo que pelas telas, que sejam-vindas. Não é mesmo ou você discorda?

Profa. Ma. Alessandra Manoel Porto – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Docente Fatec Jales – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
