Com o avanço incontrolável da Inteligência Artificial - a famosa IA, a escrita tem sido impactada em muitos aspectos, sobretudo o ortográfico. Olhando, de longe, para isso, seria muito ilusório afirmarmos que houve, dentro de pouco tempo, um avanço significativo na escrita, haja vista que muitos textos (os acadêmicos se destacam) não mais carecem de tantos apontamentos nos desvios de norma culta, tanto na ortografia como na concordância e regência. Há, sem dúvida, alguém trabalhando para isso e corremos sérios riscos.
Muitos professores da disciplina de língua portuguesa se decepcionaram em sala de aula ao perguntar se os alunos gostavam de português, referindo-se à disciplina (a resposta, obviamente, deveria ser positiva, por se tratar da língua materna, mas os alunos respondiam em coro que não!). Gostavam da língua portuguesa sim, mas não das regras, das reescritas textuais, dos textos para serem revisados com marcas de apontamentos para que se corrigisse o “x” em lugar do “ch”, que se conjugasse o verbo adequadamente em consonância com o sujeito, enfim, que o bom português ficasse “em dia”.
Cremos que a pergunta já não seja mais lançada aos alunos: os docentes ficaram “desapontados” (risos) com as respostas ou ela não faria mais sentido atualmente?
Os programas e plataformas que oferecem a IA já nos devolvem textos “prontos” sob o ponto de vista dos aspectos textuais discutidos aqui – isso ajuda muito, não podemos negar, mas não deixe de ser preocupante! Embora tenhamos que elaborar, de modo bem alinhado aos nossos objetivos, um prompt (instrução, pergunta ou comando enviado ao sistema de IA para orientar sua resposta), a parte linguística está sendo atendida e não reflete, por vezes, infelizmente, o perfil do autor; as correções têm sido mínimas!
É muito angustiante, como docentes, lidarmos com a autoria dos nossos alunos revestida de alto percentual de autoria de IA e não olharmos criticamente para isso. Gary F. Marcus, cientista, autor, professor de Psicologia e empresário norte-americano, pondera que “o risco não está na IA pensar como humanos, mas em nós deixarmos de pensar por conta própria”.
Negar a IA é andar para trás, mas ceder a ela toda a nossa condição de autor é coadunar com os muitos títulos encontrados na internet: terceirização cognitiva, sedentarismo cognitivo, mentes mecanizadas... Como lidaremos em concursos nos quais a escrita sem a IA é predominante?
Profa. Ma. Alessandra Manoel Porto – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Docente Fatec Jales – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
